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Sexta-feira, 9 de Setembro de 2005

D. Clorinda

A D. Clorinda é a Senhora que faz limpeza no meu emprego, pouco faladora e muito trabalhadora, como se deve ser.
Um dia olhando à sua dificuldade em andar porque a Senhora tem uma deficiência motora não muito grande mas apresenta um andar com dificuldade. E eu gosto de ajudar quem precisa. Hoje achei que ela precisava da minha ajuda, por isso, se lhe levasse o saco do lixo aos contentores ela iria ficar contente.
Como um impulso de gazela em passos largos, vou ter com ela e pego sem meias medidas ou satisfações, no gordo saco de lixo que ainda não estava totalmente cheio, mas já muito pesado.
D. Clorinda surpreendida com a minha atitude, mete também as mãos no saco para mo tirar- Eu faria o mesmo. Pois é o seu trabalho! - Como profissional de limpeza ela sabia qual era o seu lugar, além da sua dificuldade motora, não queria que fizessem aquilo que lhe competia, mas eu filantropa de nascença tirei-lhe devagarinho as mãos do saco, dei uma pauladinha nas costas com a mão e só lhe disse isto – hoje apetece-me ajudá-la. - E com um sorriso ícone afasto-me arrastando o saco. - Confesso que não pensava que fosse necessário fazer tanto esforço, o saco é pesado como chumbo e mal jeitoso!
Agora sou eu que arrasto as pernas até ao contentor.
Como é que ela consegue levar isto e outras coisas, como eu já vi? - Pensei eu!
Mais tarde quando conversava com alguns colegas, algo na minha percepção animal alertou-me e senti um arrepio ao mesmo tempo. Incomodada fico atenta ao que se está a passar comigo. Arregalo os olhos e deixo de ouvir o me dizem, só aceno com a cabeça para cima e para baixo, o num movimento giratório, como aqueles cães de colocar nos automóveis, que só mexem a cabeça conforme o movimento do carro. Pois eu estava igual ao cão.
A alguns metros, numa luz fosca estava a D. Clorinda num varrer penoso, contrariada, como se não quisesse fazer lixo.
- Está triste a D. Clorinda? – Comentei a um colega que estava comigo, este limitou-se a encolher os ombros.
A minha atenção aumenta quando a vejo encher os bolsos da bata com o lixo que apanhava. Tinha que ir falar com ela e saber porquê?
Lá fora alguém me chama, e eu tenho que lá ir, quando votei para dentro já não a vi mais nesse dia.
Bem aquilo entretanto com o muito trabalho que tive, nunca mais me lembrei do assunto.
Quando sai do emprego segui como habitualmente em direcção a minha casa e pela viagem os semáforos estavam todos vermelhos (à dias assim), e havia qualquer coisa a roer dentro de mim…! Eu sentia um mal-estar, sabem? - Como se me esquecesse de algo ou fizesse algo que não devia ter feito!!!
Aquela sensação perseguiu-me no caminho e hoje os semáforos estão todos vermelhos, azar!
No último semáforo, antes de minha casa, o único verde à minha passagem, depois de filas mais filas, vermelhos mais vermelhos entretanto já com os nervos em franjas e pouco atenta no transito, reparo numa senhora que ia a mancar pelo passeio fora e lembro-me da D. Clorinda a olhar para mim, triste! Mas porquê? – O que tinha feito eu à Senhora para ter aquele olhar?
Ela ficou assim depois de eu lhe ter ajudado? - Lembrei-me eu!
Ajudei-a, pois devo ter feito mal! Agora lembro-me que ela enchia o saco até cima porque só lhe davam um saco por dia, e eu assim ao ajuda-la obriguei-a a deslocar-se mais vezes que o costume aos contentores para despejar a pá, por isso decidiu meter o lixo nos bolsos.
A partir de hoje não a ajudo mais. É melhor! - Pelo menos para ela. - Tentarei no futuro ouvir melhor as pessoas! Não serei precipitada ao avaliar as situações na generalidade.
São pequenas lições da vida que todos os dias temos, mas muitas delas não falam.
Avozquenaosecala.
09.09.2005





escrito por A.fe às 15:19

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10 comentários:
De Anónimo a 13 de Setembro de 2005 às 16:15
Maria gomes-agradada com a tua visita ao meu canto.jinhos
romero-sou avozquenaosecala-hihihi-jinhos
amcatarino-sim é verdade e elas existem, mas...
obrigada pela tua visita ao meu canto-jinhos
sexto-empirico-grata pela vossa visita e voltem sempre.abraços
salsapica-obrigado por teres vindo espero que fiques mais tempo-hihihi-jinhosana maria
</a>
(mailto:aguassantas11@sapo.pt)


De Anónimo a 13 de Setembro de 2005 às 16:07
Tambem tenho simples momentos que me roem os neurónios. Aprende-se sempre com cenas diárias.
Obrigado pela visita ao salsapica.
jinhossalsapica
(http://salsapica.blogspot.com)
(mailto:arcubano@gmail.com)


De Anónimo a 10 de Setembro de 2005 às 23:56
gostamos do teu blog

convidamos.te a aparecer no nosso

www.sexto-empirico.blogspot.com

abraços

S_Esexto-empirico
</a>
(mailto:sexto-empirico@hotmail.com)


De Anónimo a 10 de Setembro de 2005 às 19:25
afortunados de nós se todos os dias pudermos recolher uma lição que nos sirva para o resto da nossa vida... gostei . ;-)amcatarino
(http://amcatarino.blogspot.com)
(mailto:amcatarino@net.sapo.pt)


De Anónimo a 10 de Setembro de 2005 às 15:35
Nunca te quedas en silencio !! lindo texto...besosromero
(http://romerodelpueblo.blogspot.com/)
(mailto:romero_del_pueblo@hotmail.com)


De Anónimo a 10 de Setembro de 2005 às 00:30
querida amiga,
como prometi, venho retribuir a visita.
Voltarei.

um beijo da
mariaMaria Gomes
(http://romadevidro.blogspot.com)
(mailto:mariagomespt@yahoo.com)


De Anónimo a 9 de Setembro de 2005 às 16:26
Ana é verdade. o dificil é saber quando o devemos fazer. um beijo terno.
e obrigada pela tua segunda visita ao meu blog.
QDTAana maria
</a>
(mailto:aguassantas11@sapo.pt)


De Anónimo a 9 de Setembro de 2005 às 16:00
Lindo! Já alguém disse uma vez que a melhor maneira de ajudar às vezes é não ajudar.
BjAna Paula
</a>
(mailto:apm@sonae.pt)


De Anónimo a 9 de Setembro de 2005 às 15:52
Amigo Antonio obrigado pela tornura vista no meu texto.jinhosana maria
</a>
(mailto:aguassantas11@sapo.pt)


De Anónimo a 9 de Setembro de 2005 às 15:47
Como uma cena da vida real, de uma vida penosa e pobre, se converte numa história cheia de ternura.
Gostei!
Aproveitaste bem aquilo que viste.
JinhosAntonio
(http://eusoulouco.blogspot.com)
(mailto:a.castilho.dias@clix.pt)


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